Pois é, o primeiro passo da extraordinária viagem de um elefante à áustria foi dado nos reais aposentos da corte portuguesa, mais ou menos à hora de ir para a cama. É mais ou menos com estas palavras que o prémio nobel da literatura José Saramago inicia um dos vários romances que o tornaram célebre, o que quer dizer que essa jornada foi um facto histórico. Houve de facto um elefante que foi oferecido pela coroa portuguesa ao arquiduque Maximiliano da Áustria e que fez uma longa viagem de Lisboa a Viena, fazendo o que melhor sabia fazer: caminhar...
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O segundo passo, como é óbvio, foi dado pelo próprio Saramago que, ao longo de mais de duzentas e cinquenta páginas, imortaliza este elefante chamado Salomão e o seu cornaca, um indiano conhecido pelo nome de Subhro (que quer dizer branco), num relato fascinante e profundamente irónico sobre alguns aspectos da condição humana. Esse facto exerceu logo em mim um profundo fascínio pelo livro. Isso, aliado a uma forma de escrever, que me colocou de imediato nos locais de acção, fez-me despertar um desejo que já não sentia há algum tempo: o de fazer uma adaptação para banda desenhada.
Todavia há duas coisas que tenho que confessar:
A Viagem do Elefante não foi o primeiro livro de Saramago que me fascinou. O primeiro foi o
Ensaio Sobre a Cegueira. Porém, cedo soube que o realizador Fernando Meirelles o estava a adaptar para o cinema e tirei daí a minha ideia. Quanto a este livro propriamente dito foi-me apresentado pela minha mulher que o leu num fôlego e me disse de imediato que este era um projeto que me poderia entusiasmar. Tinha razão, pois li a obra em poucos dias e na minha mente começaram logo a fervilhar imagens, ao mesmo tempo que ia ficando cada vez mais maravilhado com as personagens que iam entrando e saindo, conferindo elas próprias notáveis retratos da condição humana.
A partir daí, decidi meter mãos à obra naquela que para mim também se tornou numa longa viagem. O livro que será o mais longo que fiz até hoje, com cerca de 120 páginas foi elaborado durante cerca de dois anos e meio, durante os quais contei com o apoio de vários amigos a quem agradeço no livro e que, de uma forma ou de outra, se tornaram parte integrante desta saga. No entanto, aqui quero deixar uma palavra especial a José Saramago, pois sem o seu inegável talento esta aventura nunca teria sido possível e a Pilar del Rio pelo carinho que dedicou a este projeto, desde a primeira hora em que tomou contacto com ele.
Mas melhor do que quaisquer palavras que eu possa dizer, ficam as primeiras imagens de um livro que, em princípio, irá ser colocado à venda durante o mês de Novembro pela Porto Editora. E brevemente, quando tiver mais novidades, voltarei a este assunto...