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quinta-feira, 6 de maio de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - DENTE LUPUS 3

Após esta série de publicações que tenho vindo a fazer ao longo da semana, os leitores poderão começar a perguntar-me: mas onde é que anda o dito herói sem nome, do Quid Novi? E eu respondo que tem estado omnipresente desde a primeira página, pois as narrações mais não são do que uma conversa entre ele e uma mulher, que se presume ser uma feiticeira (mas será que o é?). Isso começa-se a perceber na última vinheta das páginas que coloquei hoje. Mas, a partir de agora, irá aparecer fisicamente, para assistir a um final que penso ser surpreendente, ou talvez não? Mas a essas perguntas só poderei dar resposta amanhã, quando colocar as duas últimas páginas desta história. Para já, resta-me agradecer a paciência e o carinho que os visitantes deste blogue têm demonstrado ao longo das sucessivas "postagens" deste novo episódio.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - DENTE LUPUS 2

Ao contrário do que aconteceu ontem, hoje as páginas apresentadas são completamente novas para os leitores. Finalmente, vamos saber o que é que se segue depois do legionário romano ter começado a ser massacrado pelo lobo... que é, na verdade, Mira, a loba. Quem leu os episódios anteriores sabe do que é que estou a falar. Quem não leu, pode sempre aproveitar esta oportunidade para ir ler. É que, como disse ontem, a acção desta história sucede à de Ao Homem. Por isso, é natural que alguns elementos das duas histórias se entrecruzem. E a finalizar este pequeno texto, numa semana de terrível suspense, o que é que posso dizer? Amanhã há mais...

terça-feira, 4 de maio de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - DENTE LUPUS

   Hoje, finalmente é o grande dia. Grande dia, porque vou apresentar um episódio inédito, fresquinho e acabadinho de sair do computador, da série Quid Novi In Imperium?. E, é curioso, porque para mim próprio foi uma surpresa, uma vez que já não pegava nestas personagens há alguns anos. Todavia, a acção deste episódio sucede imediatamente à de Ao Homem (Ad Hominem). É essa a diferença entre o tempo real e o da banda desenhada. Se, por nós, os anos passam inexoravelmente, na BD somos senhores desse mesmo tempo e podemos eternizar os minutos.
   O mais engraçado é que esta história só me surgiu agora na cabeça, quando comecei a postar no blogue tudo o que tinha feito. Se fosse há alguns anos, provavelmente teria sido outra ideia a vingar. Pensei então publicar algo de novo, até para agradecer o interesse que a série suscitou. Por isso, vou começar a cumprir aquilo que tenho prometido desde há algum tempo. Começar, porque amanhã há mais... E, percebem agora que a prancha que coloquei no making of faz parte desta história, mas finalmente poderão começar a ver também todas as outras que a acompanham.

domingo, 2 de maio de 2010

SÃO SÓ MAIS 2 DIAS!

Primeiro descobriu-se que O Fim Coroa a Obra. Seguiram-se então Dias de Cólera, que mostraram que Acabou a Representação. Mas Ao Homem que viaja para lá dos horizontes que conhece, novos segredos se irão revelar... daqui a dois dias. 

sexta-feira, 26 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 5

   Termino hoje a série que tenho apresentado sobre a feitura de uma página, mostrando a dupla já completa. Podem também já ver qual será o título do episódio que brevemente publicarei nesta página (que foi feito num ficheiro à parte, tendo como referência as medidas do espaço que desejava ocupar).
   Mais uma vez, coloco o resultado das páginas só com a layer da cor (a tal obra quase abstracta, quando vista só por si), para se poder analisar melhor todo o trabalho feito. Resta-me dizer que esta é uma fase em que uso muito a fotografia, mas não sob a forma de decalque e adaptação. Posso utilizar imagens actuais, por exemplo, (porque me agrada um efeito qualquer de luz) para dar um maior realismo às cores, utilizando para isso o picker do Photoshop (aquela ferramentazinha que parece um  conta gotas) a fim de capturar o tipo de cor que me interessa e depois trabalhá-la com sucessivas pinceladas, usando as ferramentas de selecção e do aerógrafo (no Photoshop) ou a variedade quase infinita de pincéis de que o Painter dispõe. Por isso, tudo aqui é digitalmente pintado (como aliás se pode ver) e não fotografado. Claro que, por vezes, uso alguns efeitos de luz para conferir um maior dramatismo à cena; outras vezes, porém, fabrico eu próprio com as cores esses efeitos, consoante o resultado que pretendo.
   E pronto, considero que agora o trabalho está concluido. Falta só colocar o texto e posso passar à página que se segue.


sexta-feira, 19 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 4

   Chegámos então à fase mais elaborada, mas também à que mais prazer me dá. É aqui que a página começa a ganhar vida própria. Para terem uma noção da complexidade de todo o trabalho de cor, posso dizer que, se a etapa anterior demora meio-dia na sua execução (um dia, no pior dos cenários), esta consome-me o tempo de quatro a cinco, na melhor das hipóteses (entre pinceladas no Painter e no Photoshop). E, claro está, que tudo isto varia com a dificuldade da própria página em si.
   O facto de na fase anterior ter colocado aquilo a que designei de cores chapão, conforme se pode ver, permite-me tratar agora cada uma delas em separado. Chegou a altura dos degradés, sombras, pontos de luz, enfim tudo o que dê às cenas o dramatismo que pretendo. Conforme se pode notar, a primeira vinheta está praticamente completa. Noutras deixei apenas uma cor trabalhada, para se perceber melhor o processo. Ou seja, selecciono uma cor e vou-a retocando, até considerar que a solução me satisfaz. Como também se pode ver, os fundos já estão pintados. Não variando muito o cenário de vinheta para vinheta, optei por tabalhar todo o conjunto e dar-lhe então a sensação de nebulosidade de que falei há umas semanas atrás. Deixo também uma cópia só com o traço preto para verificarem que ainda não estava totalmente finalizado. Se se lembrarem, eu disse para repararem no lobo que aparece na terceira vinheta. Como facilmente se calcula, o animal, ali, emerge da névoa circundante e não está no mesmo plano do legionário. Assim, por cima do traço preto, dei alguns matizes da cor que utilizei e depois fundi-a com a mancha, dando-lhe por fim alguns retoques, com o intuito de criar uma sensação de distanciamento entre o animal e o homem que o aguarda.
    Em relação à pelagem do  lobo, reparem que não a deixei a preto, mas retoquei-a noutra layer com um magenta claro, próximo da tonalidade base (que irá variar entre brancos e magentas claros), deixando apenas o traço de contorno com a cor original, pois afinal estamos a falar de um gigantesco lobo branco. Mas reparem também na última vinheta em que o sangue jorra da garganta do homem: eu pretendia que o vermelho e o preto se fundissem. Consequentemente trabalhei este efeito em cima do preto, conforme se vê na cópia onde está apenas o traço já retocado.
   A exemplo do que fiz no último post, deixo também uma cópia só com a mancha de cor, onde se percebe perfeitamente o que nesta fase já foi trabalhado e o que está por fazer. E, se repararem, coloquei um traço vermelho numa zona que não está trabalhada, porque ali vai entrar por cima o lettering  com o nome da história (que já está feito noutro ficheiro e pronto a ser colocado na página). Como tal, nesta zona não vale a pena pintar, pois vai ficar escondida.
   E, é agora e só agora, que esta história vai ter finalmente uma conclusão... 

terça-feira, 16 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - PROJECTO

E enquanto a história nova não vem (posso dizer que já está em fase adiantada de execução), deixo hoje uma ilustração que executei para as guardas do livro do tal projecto inacabado e independente das histórias curtas. Decidi colocar o herói de costas com um cenário de paisagem como pano de fundo, porque pensei que seria o que melhor reflecte o espírito da série. Afinal, quer no projecto inacabado, quer nas histórias curtas, a ideia que quis que transparecesse foi a da contínua sensação de viagem: quer física, quer psicológica. E é nessa jornada que as coisas vão acontecendo, por vezes fruto do acaso, mas muitas vezes irreversíveis nas opções e decisões tomadas. E, não é isso a vida, afinal? Finalmente, foi também um desenho onde pretendi destacar algo que gosto muito de fazer: os grandes espaços naturais (aqui trabalhados de uma forma quase impressionista).

sexta-feira, 12 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 3

   Acabado que está o preto e branco, vou então começar a trabalhar a cor. Esta também é uma fase relativamente rápida (sobretudo quando comparada com a que se seguirá), mas muito importante para que tudo corra bem. Como tenho a vantagem de trabalhar com layers (camadas) no Photoshop e no Painter (os programas que habitualmente utilizo), começo por dar o que habitualmente designo como cores chapão. Quero com isto dizer que, neste momento, não tenho grande preocupação com a volumetria do trabalho. Isso virá depois. Interessa-me tão somente colocar as cores dominantes. O chão é verde, o céu azul, as caras num tom amarelado, etc. É que, fazendo isso, depois posso seleccionar uma ou duas cores e ir trabalhando a página por secções, como se verá na próxima fase.
   Publico também uma página que mais parece arte abstracta, mas não é. É tão somente o resultado que se obtém na layer da cor, habitualmente colocada debaixo daquela em que figura o traço preto (onde só irei dar alguns retoques no final). Assim poderei trabalhar a cor, tendo como matriz dominante o traço preto, estando sempre a visualizá-lo. Claro está, que se lhe tiro a layer do traço preto o resultado é exactamente o que se vê na segunda figura. E quando os retoques de cor estiverem todos dados, tudo será ainda mais estranho. Todavia o que interessa é o conjunto, e aí é que as coisas terão que resultar...
   Entretanto, se repararem, a cor de fundo, que anteriormente era preta, já passou para um verde escuro, que na paleta de cores me pareceu a mais apropriada para estas páginas, já que o preto aqui iria, na minha opinião, sobrecarregar em demasia o conjunto. E pronto, agora entrarei naquela que considero uma das fases mais criativas por excelência... 

domingo, 7 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - DIES IRAE 6

Eis então a segunda parte do projecto com a história de Dias de Cólera convertida para o que seria um álbum. O resto da acção fica à consideração da imaginação de cada um, pois como não tive respostas positivas em relação à eventual publicação, achei por bem não avançar mais...

sexta-feira, 5 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 2

   Eis então a segunda fase da  criação da página dupla. Confesso que esta fase é das mais rápidas e das que me dá menos gozo, porque se, por um lado, já tenho o esboço feito, por outro tenho ideias bem definidas na cabeça sobre o resultado final. No fundo, trata-se de cobrir com o traço preto todos os elementos essenciais que ficaram no esboço. Aqui é preciso muito cuidado para não sobrepôr demasiados traços pretos (e pelo menos comigo existe muitas vezes essa tentação), já que esta é uma página para ser feita a cores. Se por um lado o preto tem que prevalecer, por outro, temos que ser disciplinados e guardar-nos para a parte em que a cor vai cumprir a sua função. Quanto aos espaços em branco, deixo-os por enquanto à imaginação do leitor. Posso dizer, para já, que esta é uma sequência que se passa algo imersa na bruma...
   Quero referir, por fim, que alguns destes traços ainda irão ser sujeitos a um tratamento, quando der a cor à página. Tomem para já como referência para essa fase os pelos da loba e a loba que aparece na terceira vinheta do alto em frente ao legionário que está de costas. Para além disso, a  cor de fundo da página não vai ser preta. Todavia, nesta fase deixo-a a preto para ter já uma ideia mais próxima do resultado final. E é aí que se exerce uma das grandes vantagens de trabalhar em computador: é que podemos colocar em layers (camadas) diferentes o desenho em si, as cercaduras das vinhetas e o fundo da página para depois fazer experiências várias, com vista a tirar os melhores resultados. No papel, isso seria mais difícil.

terça-feira, 2 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - DIES IRAE 5

Inicio então hoje a publicação do tal projecto inacabado a que já me referi em artigos anteriores. A ideia era a de fazer um álbum em que pudesse recuperar alguns elementos que já havia colocado nas histórias curtas e tornar a acção um bocadinho mais complexa, nomeadamente com a introdução de novas personagens e situações. Por isso é normal que, ao verem certas sequências, haja um bocadinho a sensação de déjà vu, pois a ideia era a de fazer uma história solta de tudo o resto que já havia sido publicado, misturando algumas situações que considerava boas e reuni-las com outras novas. Este livro seria, por assim dizer, uma espécie de remake mais elaborado e a ideia seria a de que fosse lido de forma independente de tudo o que já havia sido feito. Por outro lado, como este foi um projecto inacabado e, na altura em que o fiz, não tinha sequer expectativas de o publicar num blogue, houve algumas vinhetas que acabei por utilizar (às vezes com algumas adaptações, consoante a cena assim o exigia) em álbuns posteriores que fiz, pois considerava um desperdício deitar todo este material para o lixo. Nesta publicação, junto também o mapa do império que elaborei para o projecto e fica finalmente perceptível, aonde é que pertence o desenho que ilustra o cabeçalho do blogue.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF

   Conforme já referi nalguns comentários, estou a preparar mais uma história curta desta série, que tanto gozo me tem dado, especialmente para este blogue. Pensei então, que seria engraçado acompanhar as diversas etapas sobre a construção de uma página. Por isso, deixo hoje a primeira parte com esta espécie de making of: o início da página. Esta é uma fase algo complicada, já que é aqui que o pesadelo da folha em branco se faz mais notar. É nesta altura e, consoante as notas prévias de texto que escrevi (chamo-lhes notas, porque é apenas um resumo, que muitas vezes só eu é que entendo, do que é que a página vai ter, com alguns diálogos que entretanto já me vieram à cabeça). Note-se que, neste caso, estou a construir uma página dupla e embora a história seja feita em primeiro lugar para o blogue, tenho que pensar numa eventual edição e ver o sítio da dobra das páginas. Depois tenho que as construir de modo a que não tenham texto ou situações muito complicadas nessa zona. A partir daí, é começar a pensar na planificação e a desenhar (primeiro esboços rápidos, depois desenhos já com algum detalhe, sobretudo em relação às zonas de contraste). Nesta fase, dedico alguma atenção ao modo como as vinhetas se vão dispôr, pois eu, como leitor, gosto que cada página fale por si e não seja uma mera sucessão de vinhetas alinhadas sempre da mesma forma. Contudo, isso é uma simples questão de gosto.
   Refiro ainda que o que hoje aqui apresento, embora já dê uma ideia da acção é meramente o esquiço, podendo o desenho levar, aqui e ali, algumas alterações. Dei-lhe apenas alguns efeitos a sépia no computador, para ficar mais apresentável. Todavia, abstraindo-nos disso, isto é apenas o croqui da página, que irá levar posteriormente o traço preto e a cor. Mas isso já é matéria para as próximas fases...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - FINIS CORONAT OPUS

Inicialmente tinha pensado não colocar este episódio que, na realidade, foi o primeiro (Dies Irae foi o segundo). Apesar disso, actualmente, não era um dos meus favoritos. Por outro lado, como foi publicado nas Selecções BD, pensei que não se justificava a sua colocação aqui. Todavia, numa análise posterior, debati-me com a ideia de que estou a "postar" praticamente tudo o que fiz sobre esta série (até porque Dies Irae foi também publicado na mesma revista) e, se não constasse este episódio, ficava sempre a sensação de que faltava algo. Decidi então refazer todo o texto em computador, para o publicar. E, curiosamente, depois desse trabalho, até gostei mais do resultado do que inicialmente previa. Fica então aqui a pequena história que iniciou a pequena saga deste herói sem nome...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - DIES IRAE 4

Eis mais alguns desenhos preparatórios para o tal projecto que nunca passou disso mesmo. Estudos de eventuais personagens que iriam aparecer pela primeira vez na história, uma imagem de Mira que fiz apenas pelo gozo de a fazer, estudos de roupas, uniformes e armas, é o que hoje deixo. Destas imagens, existe uma em particular, que dá a sensação de déjà vu: é a da transformação de Mira em loba. Este é, de facto, um desenho que já tinha efectuado a preto e branco para a história curta (como podem ver na sexta página da primeira história que publiquei). Porém, gostei tanto dele que decidi ensaiar qual seria o seu efeito, agora a cores. Para mim, continua a ser uma sequência que resultou plenamente e uma das poucas, em que a minha imagem mental e a real se aproximaram muito.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? -DIES IRAE 3



Eis mais algumas imagens que desenhei para o projecto (que nunca passou disso mesmo) do álbum Dias de Cólera e o que seria uma possível capa. Para além de mais um desenho com o herói sem nome, fica também, em complemento, um estudo do senador e da sua mulher.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? -DIES IRAE 2




   Quando coloquei o episódio Dias de Cólera neste blogue, disse que este foi um dos episódios que mais gozo me deu fazer. Pensando que tinha ali matéria para explorar, decidi, a certa altura, que poderia alongar o episódio e torná-lo um pouco mais complexo, de modo a poder sair em livro. E, durante algum tempo, ainda construi o projecto, que tinha a vantagem de não estar limitado ao preto e branco conforme acontecia, quando publiquei nas "Selecções BD". Fiz então alguns desenhos preparatórios das personagens, locais de acção, situações, etc.








   Conforme se pode ver nas figuras que hoje coloco, a propriedade do senador romano é aqui maior e mais concentânea, com o que seria uma "villa" de uma personagem que tinha ocupado um dos mais altos lugares na esfera do poder romano. Conforme se percebe facilmente nestes desenhos preparatórios, também o vilão era o mesmo ex-líder do exército, ávido por poder e dinheiro. E, claro está, uma das personagens principais do projecto, seria novamente Mira, "a mulher-loba". Afinal, como já disse anteriormente, foi uma das minhas criações que mais fascínio exerceu sobre mim. Ainda hoje sinto um grande afecto por ela, pois é uma personagem cheia de contradições a explorar. Ao mesmo tempo frágil e determinada, quis colocá-la sempre, sob uma aura de mistério, de modo a que só aos poucos, o leitor se fosse apercebendo da sua complexidade, nunca se sabendo sequer se ela participa na acção ou, se pelo contrário, não passa da sombra de alguém que vagueia algures numa dimensão paralela, mas que ainda não sabe bem o que lhe aconteceu. A sua própria transformação em loba revela um lado animal de uma mulher sofrida, que não só se transforma fisicamente, como psicologicamente, assumindo uma personalidade que está longe de ser a sua. Mulher de profundas contradições, exerceu também para mim, sempre que a desenhei, um fascínio algo erótico. Se consegui passar isso, é outra história... Mas a intenção esteve sempre lá...


   Por fim, conforme se percebe por estes primeiros desenhos, a minha ideia era, nesta altura, a de criar uma história num estilo hiper-realista que sempre me fascinou, porque pensei que essa seria uma forma de colocar os leitores mais perto dos locais de acção, embora essa mesma acção tivesse decorrido há muitos séculos atrás. Seria uma espécie de realismo fotográfico de uma época em que as máquinas fotográficas estavam longe de serem inventadas...