sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O QUE É QUE SE PASSA NA CABEÇA DOS HOMENS?

Esta ilustração, à semelhança das outras, era para ser para o tal livro que nunca chegou a ser. Tinha era uma particularidade: cada menina era para sair numa página capitular e só no último capítulo é que toda a história faria sentido. Agora, aqui para o blogue, fiz uma remontagem com os desenhos todos que fiz na altura, com o propósito de os poder mostrar, como se de uma tira se tratasse. Resta dizer que este não é um remédio definitivo para a crise que estamos a viver, mas lá que ajuda muito, isso ajuda... 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

CONSTRUÇÃO DE UMA ANTA - O REGRESSO AO ÚTERO


    Apresento hoje duas páginas e uma ilustração retiradas do álbum História de Fornos de Algodres - Da Memória das Pedras ao Coração dos Homens, sobre a construção de uma anta. Como o nome do livro o indica, este é um concelho com um vasto património arqueológico, também nesse domínio. E, foi na feitura deste álbum e graças ao professor Valera, a quem mais uma vez agradeço a colaboração prestada, que fiquei a aprender mais algumas coisas sobre a construção destes monumentos.
   Que as antas eram monumentos funerários, disso ninguém tem grandes dúvidas. Porém, provavelmente, pouca gente sabe que os cadáveres eram depositados no seu interior em posição fetal. Eu, pelo menos, não sabia. Tinha a ideia de que seriam cremados e as suas cinzas seriam então colocadas lá, junto a algumas coisas que fizeram parte da sua vida. Todavia não era bem assim...
   Na verdade, as antas eram construidas como representações do útero materno e os antigos entendiam que, quando a pessoa morria, voltava aí de novo. Daí que, os monumentos fossem representações disso mesmo. Claro que, actualmente, só vemos as pedras que foi o que sobreviveu ao desgaste do tempo, mas na verdade todo o monumento era construído como se fosse uma representação do baixo ventre feminino, com o propósito de que a pessoa regressasse ao local de onde tinha vindo a este mundo, entendido apenas como um local de passagem.
   Ficam as pranchas e a curiosidade...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

QUESTÕES EXISTENCIAIS E LABORAIS...

Depois de na semana passada ter, excepcionalmente, interrompido a série de desenhos eróticos que tenho publicado, volto novamente ao tema, para colocar o material restante que, diga-se, já não é muito mais. Ficam então mais duas ilustrações...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

E JÁ LÁ VAI UM ANO!

   Pois é, o tempo não passa, voa! Parece que foi ontem que comecei a minha aventura neste vasto universo que é o dos blogues e já lá vai um ano. Por isso, e para comemorar devidamente este primeiro aniversário, fiz uma montagem com algumas das personagens que, ao longo deste ano, foram aparecendo por aqui. E, tal como elas, também eu agradeço a todos os que, de uma forma ou de outra, me acarinharam, incentivaram, criticaram e motivaram. É que, isto de criar um blogue, só faz sentido, se pudermos interagir com gente dos mais diversos quadrantes e até com pessoas que, de outra forma, seria impossível contactar. A todos os que comentaram ou sómente visitaram este espaço, aqui fica o meu profundo agradecimento, bem como aos que, de uma forma ou de outra, me vão dando forças para continuar.
   E agora que o blogue tem já, a partir de hoje, um ano de vida, posso anunciar que é para muito breve que virão algumas alterações ao seu visual e que me irei lançar em novos desafios. Sobre um deles, já falei um pouco numa publicação anterior. Trata-se de Vidas, uma bd que fiz logo a seguir à Voz dos Deuses e que, até agora, permanece inédita. Estou agora a começar a recuperá-la, para a publicar na íntegra aqui no blogue. E, como hoje é dia de aniversário, deixo, como aperitivo, o projecto de capa, ainda sem os letterings. Espero que gostem...
   

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

AS MINHAS PRANCHAS NO AMADORA BD

História de Manteigas - No Coração da Estrela
Bernardo Santareno - Fragmentos de Uma Vida Breve
Foto de Cristina Amaral
Foto de Cristina Amaral
Foto de Cristina Amaral
Agora que o festival está quase a terminar, não quis deixar passar a ocasião de mostrar algumas das minhas pranchas que figuram no Amadora BD, nomeadamente na exposição que engloba as diferentes visões que vários autores tiveram em relação à República, como se sabe, a grande temática deste ano. Melhor do que quaisquer palavras que eu pudesse escrever, fica o texto que reproduzo quase na íntegra, numa das fotos. E, aproveito a ocasião, para convidar todos os que ainda não se deslocaram ao Fórum Camões, para o fazerem este fim-de-semana. A qualidade das exposições presentes merece uma visita detalhada.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"O INFANTE PORTUGAL" - A ILUSTRAÇÃO


   Para completar o conjunto de publicações que dediquei ao Infante Portugal, mostro então hoje a ilustração que efectuei para o livro de José de Matos-Cruz. A personagem que me calhou foi o Escudeiro Europa, um ser algo ambíguo, que muitas vezes se assume quase como a negação daquilo que foi anteriormente. A exemplo do que Luís Diferr tinha feito para o primeiro livro, resolvi representá-lo como sendo metade homem, metade mulher. É assim alguém que surge em permanente mutação e que, por isso mesmo, é também conhecido como Huno ou Huna Europa, que pretendi representar. Nesse sentido, e procurando não entrar em contradição com o que Diferr já tinha feito, procurei retratar este ser imaginário, quase como se de um super-herói ou super-vilão se tratasse e, quando estava a fazer o desenho, veio-me de repente à memória um quadro de Magritte, intitulado Memória. Decidi então fazer o fundo, um pouco à imagem do que aparece nesse quadro, que inevitavelmente nos leva para caminhos que só a imaginação conhece...
   Fica então aqui o trabalho em duas fases que não aparecem no livro (pois a imagem lá, surge a preto e branco): o esboço e a arte-final a cores, onde inclusivamente se pode reparar que este indivíduo de personalidades diversas, até tem um olho de cada cor. Não sei se esta minha representação corresponde ao imaginário do autor, mas foi assim que eu o vi, quando li as páginas que me foram cedidas...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A LEI DO DESEJO - IMPRESSÕES E EXPRESSÕES...


O problema da linguagem é que, facilmente se descobre por detrás das palavras que são ditas ou escritas, múltiplos sentidos. E na arte da sedução, isso pode levar a resultados inesperados, quer para o bem, quer para o mal. É com base nisso, que apresento mais dois desenhos feitos para o tal livro que realmente nunca o foi. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

LANÇAMENTO DE "O INFANTE PORTUGAL" - AS FOTOS

José de Matos-Cruz, o autor do livro, juntamente com a sua editora (foto de Cristina Amaral)

O autor em plena sessão de autógrafos (foto de Cristina Amaral)
E a prova de que eu estive lá... sentado, ao lado do mestre e amigo, José Ruy (foto de Dâmaso Afonso)
Na semana passada, noticiei aqui, integrado no Festival de Banda Desenhada da Amadora, o lançamento de O Infante Portugal e A Íntima Capitulação e da segunda edição de As Tramóias Capitais, da autoria de José de Matos-Cruz, ilustrados por gente ligada à banda desenhada, cinema de animação e pintura, entre os quais se inclui o autor deste blogue. Hoje, partilho algumas fotos desse mesmo lançamento que, como é fácil verificar, foi quase uma reunião de família, de gratas memórias. Fica, entretanto, a novidade de que as aventuras e do Infante Portugal irão continuar num terceiro livro, estando o final já definido pelo autor.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

INSUSTENTÁVEIS PROBLEMAS NA ARTE DA SEDUÇÃO


Sobre esta temática não há muito a dizer, pois os desenhos falam por si. E, para além disso, um dos protagonistas fala tanto, que me retirou a mim o espaço de dizer o que quer que seja...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

LANÇAMENTO DE "O INFANTE PORTUGAL - A ÍNTIMA CAPITULAÇÃO" NO AMADORA BD

Projecto de capa da autoria de Nuno Pereira, inspirado nas visões de Ricardo Cabral e Daniel Maia
   É já no próximo domingo, 24, às 15.00 horas, no Forum Luís de Camões, integrado no 21º Festival de Banda Desenhada da Amadora, dedicado à República, que irá decorrer a apresentação do segundo volume de O Infante Portugal, intitulado A Íntima Capitulação, da autoria de José de Matos-Cruz, conhecido crítico e divulgador de cinema e banda desenhada. Paralelamente, irá também ser apresentada a segunda edição do primeiro livro da saga, As Tramóias Capitais.
   A acção desta obra passa-se numa Lisboa imaginária, onde se entrecruzam alfacinhas solitários, vadios, boémios, cidadãos ilustres, super-heróis fantásticos, jornalistas, filósofos, mulheres prodigiosas, malfeitores e políticos que têm o dom de aparecer em todo o lado. Mas, melhor do que eu, o autor poderá esclarecer toda a temática e a trama que envolve as obras, nessa sessão de apresentação.
   Eu entro neste projecto, porque, este segundo volume, a exemplo do que já acontecera com o primeiro, conta com a participação de vários ilustradores e autores portugueses. Em As Tramóias Capitais, já podia ser admirada a arte de Isabel Aboim, Filipe Abranches, Renato Abreu, Luís Diferr, José Carlos Fernandes, José Garcês, António Jorge Gonçalves, Luís Louro, Zé Manel, Pedro Massano, José Ruy, Eugénio Silva e Augusto Trigo. Agora, neste segundo volume, para além da minha colaboração (que posso dizer, para já, que me deu muito gozo), poderão ser igualmente admirados os trabalhos de Ana Biscaia, Cação Biscaia, Ricardo Cabral, Richard Câmara (o autor do cartaz do Festival deste ano, que irá ter também uma mostra sua), Diniz Conefrey, Fernando Filipe, Sara Franco, Daniel Henriques, Rui Lacas, João Vasco Leal, Daniel Maia, João Mascarenhas, Baptista Mendes, Susa Monteiro, Nuno Pereira, Miguel Rocha, André Ruivo e Carlos "Zíngaro".
   Para além desta sessão, fica a nota de que os livros se irão encontrar disponíveis na livraria do Festival, podendo quem quiser, adquiri-los aí. Resta-me dizer a todos os que se queiram deslocar à apresentação,  que lá nos encontraremos...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AS LEIS DA ATRACÇÃO

A pedido de várias famílias, publico hoje mais dois desenhos, feitos para o tal livro que nunca o chegou a ser. Como disse no "post" anterior, esta série visava ilustrar temáticas específicas. Actualmente, já não me lembro muito bem quais eram, mas penso que o título pode definir muito bem estas duas ilustrações. Quanto ao resto, penso que elas falam por si...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

AFONSO, O PENSADOR

   Quando me propuseram no The Way of the Exploding Pencil o tema D. Afonso Henriques, claro está que a primeira imagem que me veio à cabeça foi a do "conquistador". Este deve ter sido um rei que passou mais tempo sentado em cima de uma sela, do que propriamente num trono. Mas, depois, lembro-me que este, a exemplo de muitos outros monarcas, deve ter tomado decisões muito difíceis. Não é impunemente que se avança contra a sua própria mãe, por exemplo. Mas, claro está, que tudo isto sou eu a divagar...
   O que quero reter é que quis representar Afonso, o primeiro, numa pose que não fosse usual. Quis antes mostrá-lo num momento de introspecção, pois acredito que, como sucede com todos nós, também ele deve ter tido os seus medos, anseios e dúvidas. E, se as batalhas que venceu e os tratados que negociou, com o firme propósito de conseguir uma terra que fosse sua, é que ficarão para a História, a verdade é que esses momentos é que devem ter estado na génese de tudo isso...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

VIVER A DOIS...


Já nem sei muito bem há quanto tempo é que fiz isto. Julgo que deve ter sido por volta do ano 2000 ou 2001. Lembro-me que estas ilustrações eram para um livro, com uma série de textos sobre sexo e que o objectivo era criar algum humor em torno de situações específicas. O livro em questão, por razões várias, não chegou a ser editado... mas os desenhos ainda moram por aqui...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

CONTRA OS CANHÕES MARCHAR, MARCHAR!

   Hoje comemoram-se os cem anos da  implantação da República. E, claro está, que esta não é uma comemoração totalmente pacífica. Por detrás das cerimónias e dos discursos, surgem dúvidas, sobretudo devido à actual crise. Diz-se que muito foi feito, mas também que muito ficou por fazer. Lembram-se os heróis de uma resistência que já vinha de há muito. Mas mais do que recordar os nomes dos líderes, como António José de Almeida, José Relvas, Afonso Costa, Manuel de Arriaga, Bernardino Machado, Teófilo Braga ou Miguel Bombarda (que acabou assassinado), entre outros, importa recordar essa turba de heroís anónimos que se sublevaram, não tanto contra o rei como pessoa, mas sim contra o estado a que o país tinha chegado com o progressivo afundamento do regime vigente. E hoje que falamos novamente de crise, convém recordar que o Portugal de 1910 era um país extremamente pobre, inculto e analfabeto, miserável mesmo. Apesar de tudo, a situação hoje nada tem a ver com a da época, não obstante, há semelhança do que então acontecia, haverem já enormes fossos sociais.
   Convém recordar também que, há cem anos, o dia amanheceu debaixo de fogo e incerteza. Os combates foram sangrentos e muitos foram os que caíram atrás das barricadas, em nome de um ideal, que procurava um futuro melhor. E, é a essa multidão anónima formada por todo o tipo de gente que lutava simplesmente por melhores dias vindouros, que eu presto homenagem com esta ilustração que faz parte do álbum História de Manteigas - No Coração da Estrela.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

REAL OU VIRTUAL?


Não há dúvida que, nas últimas décadas, a tecnologia tem proporcionado inexoráveis avanços, no que à criação de realidades alternativas diz respeito. É um facto que os jogos, simuladores e outros programas nesse âmbito, evoluiram de uma tal forma, que podem proporcionar hoje em dia experiências únicas, concretizando, com mais ou menos imaginação, situações que, de outra forma, seriam impossíveis, para a esmagadora maioria das pessoas. E, pensar que, na minha meninice, esse tipo de coisas fazia unicamente parte do universo da ficção científica... Por isso, o postal que hoje publico (também ele já desactualizado), pode considerar-se uma homenagem à concretização desses mundos virtuais, que muitas vezes conseguem o seu pleno objectivo: abstrair-nos  um bocadinho do real...