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terça-feira, 19 de julho de 2022

JOSÉ PRES - RECORDANDO UM BOM AMIGO...

 

José Pires, mais um bom amigo que se foi...

   Interrompo esta semana a publicação das páginas de Amira, porque sinto necessidade de falar um pouco deste meu bom amigo que, no final da semana passada, partiu rumo às pradarias celestes. José Pires, entrou na minha vida através do seu trabalho. Lembro-me que, ainda muito jovem, ficava fascinado a contemplar horas a fio as pranchas de Homens do Oeste, bem como algumas ilustrações que elaborou para livros da coleção western da Europa-América. Esse foi o primeiro contacto que tive com ele, nunca suspeitando que anos mais tarde o iria conhecer pessoalmente, tendo-se tornado, a partir dessa altura, um bom amigo.

    Foi então no Amadora BD, no lançamento de A Voz dos Deuses, no já longínquo ano de 1994 que tive o privilégio de o conhecer. Imagine-se então qual não é o meu espanto quando vejo que na fila dos autógrafos está precisamente aquele desenhador, cujo trabalho já admirava há anos. Foi aí que comunicámos pela primeira vez e trocámos algumas ideias e, a partir desse dia, fomos falando regularmente sobre os mais variados assuntos e, claro, a paixão pelo western que ambos partilhávamos, vinha muitas vezes à baila. Mas, para além disso, foi também graças ao José Pires que passei a trabalhar em arte digital com um Mackintosh e foi ele que me deu algumas dicas sobre métodos de trabalho que me foram sendo muito valiosas ao longo dos anos.

    Foram então quase trinta anos em que desenvolvemos uma relação de uma profunda amizade, em que inclusivamente partilhámos algumas aventuras juntos, como, por exemplo, uma ida ao Festival Internacional de Angoulême, em 2009. Apesar de nos últimos anos ter a noção de que o seu estado de saúde foi ficando ligeiramente mais frágil e que já não tinha a velocidade de trabalho que o caracterizava, continuou a ser alguém que me foi relativamente próximo e continuámos a partilhar ideias, sonhos e desejos...

    O último ano foi aquele em que o nosso contacto se revelou bastante menor, até porque as suas limitações se foram agravando cada e cada vez mais. No entanto, de vez em quando, lá íamos trocando algumas mensagens. É por isso que, na sexta feira passada, fiquei quase incrédulo, quando constatei que o percurso dele neste planeta tinha terminado. E, agora, lamento profundamente que nunca lhe tenha chegado a mostrar Rattlesnake, o meu primeiro western, que concretizei finalmente ao fim de muitos anos de actividade. Sei que esse seria um tema de várias boas conversas e que ele, como fez ao longo dos anos, me poderia dar alguns conselhos, pois nesse campo a sua experiência era muito mais vasta do que a minha. É que, apesar do José Pires, na sua prolífera carreira, ter trabalhado em várias temáticas, era de facto no western, do qual era um profundo conhecedor, onde se sentia mais à vontade. Mas, enfim, a vida é o que é...

    Resta-me agora apenas dizer que com a partida do meu amigo Pires, sinto-me mais uma vez um pouco órfão, pois é mais um valoroso amigo que vai cavalgar para lá da linha do horizonte. Ficam no entanto as boas memórias dos momentos que passámos juntos e que não foram poucos e a sua magnífica arte com a qual, tenho a certeza, ganhou o seu quinhão de eternidade...

Eu e o José Pires em Angoulême

Carlos Rico, eu, José Pires e Carlos Baptista Mendes em Viseu, em 2018

Uma prancha de prova de Tex Willer que José Pires gentilmente me ofereceu

Alguns estudos de rosto patentes na exposição dedicada aos cinquenta anos de carreira de José Pires



terça-feira, 28 de junho de 2016

GUERRAS DE FOGO - A HEROÍNA E UMA PÁGINA...


Depois de algumas publicações que já apareceram neste blogue sobre o ainda inédito ptojeto Guerras de Fogo, que elaborei conjuntamente com José Pires, sobre a luta pela posse da Lusitânia, deixo hoje aqui um desenho com o rosto da heroína e uma página acabada do início da história.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

GUERRAS DE FOGO - PROJETO DE CAPA


Guerras de Fogo é uma banda desenhada, cujo argumento é de Gus Peterson (José Pires) e o desenho meu (Jhion) que até hoje permanece inédita.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

VIRIATO EM "GUERRAS DE FOGO"

Depois de, durante duas semanas ter recordado A Voz dos Deuses, o meu primeiro trabalho publicado, onde aparece a figura de Viriato (embora nunca se lhe veja o rosto), mostro-o agora, tal como surge em Guerras de Fogo, uma banda desenhada que eu e o José Pires preparámos e que até hoje permanece inédita. Viriato surge aqui ao lado da heroína principal da história (Arthea), como seu mentor e amigo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

GUERRAS DE FOGO - ESTUDOS E ESBOÇOS



   Guerras de Fogo é um projeto que o meu colega e amigo José Pires escreveu sob a forma de romance. Após breves conversas, juntos, decidimos arrancar com uma adaptação em banda desenhada, que a mim me encheu de satisfação, pois voltava à temática das guerras dos lusitanos contra o invasor romano. E, pessoalmente, com uma vantagem acrescida: o meu conhecimento sobre o assunto era agora maior do que o que tinha quando elaborei A Voz dos Deuses, além de que a história que ele, na altura, me resumiu, me cativou de imediato.
   Com o meu amigo Pires a assumir o argumento e eu o desenho, decidimos então partir para esta aventura, elaborando o primeiro tomo de 46 páginas que, apesar de já se encontrar feito, ainda se mantém até hoje inédito.
   Para aguçar a curiosidade de todos os que visitam este blogue, deixo então um cheirinho desta história, que é, como quem diz, o esboço de duas páginas e alguns estudos de rosto da heroína. Espero que gostem...


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

JOSÉ PIRES - 50 ANOS A FAZER BD

Uma imagem feita muito antes de eu, sequer, sonhar vir a este mundo...
Vista geral da entrada da exposição
Magnífico painel que reproduz na perfeição uma vinheta de Will Shannon - O Poço da Morte
Primeira capa desenhada e publicada pelo José Pires, na altura simplesmente Zé... 
   O José Pires, a exemplo de muitos outros desenhadores, acompanhou-me durante a minha juventude. Lembro-me das suas páginas, publicadas no Mundo de Aventuras, normalmente movimentados westerns, cujas sequências de movimento me deixavam de boca aberta. Não foi muito difícil de imaginar que se tornasse, para mim, numa referência a reter.
   Imaginem por isso, qual não foi o meu espanto, quando no longínquo ano de 1994 ele me aparece à frente. Nessa altura, eu estava em delírio, a cumprir um sonho que me acompanhava desde a infância. Editava A Voz dos Deuses, o meu primeiro álbum da banda desenhada. Entusiasmadíssimo, dava autógrafos (precisamente no Festival da Amadora), quando reparo no semblante do homem que já conhecia através do seu trabalho e de fotografia. Pergunto então: "Mas você é o José Pires, o desenhador daquelas fantásticas cowboyadas que me habituei a admirar, não é verdade?". Ele, claro, sorriu e respondeu que, não só eu era seu fâ, como ele tinha passado a ser meu. Claro que foi gentil nas palavras, mas a partir daí cimentou-se entre nós uma amizade, que tem prevalecido ao longo dos anos.
   De lá para cá, temos contactado regularmente e posso dizer que muito do que sou hoje a ele o devo. Se já o admirava como desenhador, passei a admirá-lo como pessoa. Não me esqueço que foi o José Pires que me ajudou no capítulo da documentação gráfica. Foi também o José Pires que me aconselhou a trabalhar com um Macintosh, quando tirei o curso de desenho assistido por computador. Foi o José Pires que, pacientemente, me deu algumas dicas muito importantes sobre como trabalhar com um computador e foi o José Pires que, ao longo destes anos me tem ajudado várias vezes no meu percurso. Por isso, hoje tenho a honra de dizer que o Pires, mais do que alguém que admiro, é um amigo. Ah... e, já me esquecia, foi com o José Pires que fui pela primeira vez a Angoulême, cumprir outro sonho.
O homenageado com António Moreira (à esquerda), Cristina Gouveia e Nelson Dona (à direita)
   Fiquei, por isso, muito contente quando soube que os 50 anos do percurso do Pires iam ser lembrados pelo Amadora BD. Quem o conhece, sabe bem que ele é modesto e não se considera digno dessa homenagem. Mas, aí discordo dele, uma vez que a exemplo do que acontece com o José Ruy, o Eduardo Teixeira Coelho, o Fernando Bento, o Vítor Péon, o José Garcês, o Augusto Trigo ou o Jorge Magalhães, entre outros, é já dono de um notável percurso que fez e fará História na BD portuguesa. E, para além do mais, a exposição está magnífica, representando não só o trabalho que ele tem feito ao longo dos anos em Portugal e no estrangeiro, como algumas das técnicas que ele utiliza. E é engraçado ver que, apesar de trabalharmos os dois em computador, o fazemos de formas diferentes, não obstante, como já disse e repito, tudo o que sei hoje nesse domínio, aprendi em grande parte com ele.
   Vale por isso a pena ir à Biblioteca Municipal Dr. Fernando Piteira Santos (que se situa em frente à Academia Militar), uma vez que esta exposição, a exemplo do que acontece com as outras, está verdadeiramente espectacular e cumpre em pleno a homenagem que pretende fazer... Quanto a mim, deixo aqui de forma singela este meu pequeno tributo àquele que considero ser um dos meus grandes mestres...
Fotos: Cristina Amaral


Uma vinheta do esboço à arte final
O movimento é sempre uma constante nos trabalhos do José Pires
O José Pires continua a ser um desenhador que ilustra batalhas como poucos...
Eu, momentos antes de reparar que na fila se encontrava o José Pires (à direita)