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sexta-feira, 26 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 5

   Termino hoje a série que tenho apresentado sobre a feitura de uma página, mostrando a dupla já completa. Podem também já ver qual será o título do episódio que brevemente publicarei nesta página (que foi feito num ficheiro à parte, tendo como referência as medidas do espaço que desejava ocupar).
   Mais uma vez, coloco o resultado das páginas só com a layer da cor (a tal obra quase abstracta, quando vista só por si), para se poder analisar melhor todo o trabalho feito. Resta-me dizer que esta é uma fase em que uso muito a fotografia, mas não sob a forma de decalque e adaptação. Posso utilizar imagens actuais, por exemplo, (porque me agrada um efeito qualquer de luz) para dar um maior realismo às cores, utilizando para isso o picker do Photoshop (aquela ferramentazinha que parece um  conta gotas) a fim de capturar o tipo de cor que me interessa e depois trabalhá-la com sucessivas pinceladas, usando as ferramentas de selecção e do aerógrafo (no Photoshop) ou a variedade quase infinita de pincéis de que o Painter dispõe. Por isso, tudo aqui é digitalmente pintado (como aliás se pode ver) e não fotografado. Claro que, por vezes, uso alguns efeitos de luz para conferir um maior dramatismo à cena; outras vezes, porém, fabrico eu próprio com as cores esses efeitos, consoante o resultado que pretendo.
   E pronto, considero que agora o trabalho está concluido. Falta só colocar o texto e posso passar à página que se segue.


sexta-feira, 19 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 4

   Chegámos então à fase mais elaborada, mas também à que mais prazer me dá. É aqui que a página começa a ganhar vida própria. Para terem uma noção da complexidade de todo o trabalho de cor, posso dizer que, se a etapa anterior demora meio-dia na sua execução (um dia, no pior dos cenários), esta consome-me o tempo de quatro a cinco, na melhor das hipóteses (entre pinceladas no Painter e no Photoshop). E, claro está, que tudo isto varia com a dificuldade da própria página em si.
   O facto de na fase anterior ter colocado aquilo a que designei de cores chapão, conforme se pode ver, permite-me tratar agora cada uma delas em separado. Chegou a altura dos degradés, sombras, pontos de luz, enfim tudo o que dê às cenas o dramatismo que pretendo. Conforme se pode notar, a primeira vinheta está praticamente completa. Noutras deixei apenas uma cor trabalhada, para se perceber melhor o processo. Ou seja, selecciono uma cor e vou-a retocando, até considerar que a solução me satisfaz. Como também se pode ver, os fundos já estão pintados. Não variando muito o cenário de vinheta para vinheta, optei por tabalhar todo o conjunto e dar-lhe então a sensação de nebulosidade de que falei há umas semanas atrás. Deixo também uma cópia só com o traço preto para verificarem que ainda não estava totalmente finalizado. Se se lembrarem, eu disse para repararem no lobo que aparece na terceira vinheta. Como facilmente se calcula, o animal, ali, emerge da névoa circundante e não está no mesmo plano do legionário. Assim, por cima do traço preto, dei alguns matizes da cor que utilizei e depois fundi-a com a mancha, dando-lhe por fim alguns retoques, com o intuito de criar uma sensação de distanciamento entre o animal e o homem que o aguarda.
    Em relação à pelagem do  lobo, reparem que não a deixei a preto, mas retoquei-a noutra layer com um magenta claro, próximo da tonalidade base (que irá variar entre brancos e magentas claros), deixando apenas o traço de contorno com a cor original, pois afinal estamos a falar de um gigantesco lobo branco. Mas reparem também na última vinheta em que o sangue jorra da garganta do homem: eu pretendia que o vermelho e o preto se fundissem. Consequentemente trabalhei este efeito em cima do preto, conforme se vê na cópia onde está apenas o traço já retocado.
   A exemplo do que fiz no último post, deixo também uma cópia só com a mancha de cor, onde se percebe perfeitamente o que nesta fase já foi trabalhado e o que está por fazer. E, se repararem, coloquei um traço vermelho numa zona que não está trabalhada, porque ali vai entrar por cima o lettering  com o nome da história (que já está feito noutro ficheiro e pronto a ser colocado na página). Como tal, nesta zona não vale a pena pintar, pois vai ficar escondida.
   E, é agora e só agora, que esta história vai ter finalmente uma conclusão... 

sexta-feira, 12 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 3

   Acabado que está o preto e branco, vou então começar a trabalhar a cor. Esta também é uma fase relativamente rápida (sobretudo quando comparada com a que se seguirá), mas muito importante para que tudo corra bem. Como tenho a vantagem de trabalhar com layers (camadas) no Photoshop e no Painter (os programas que habitualmente utilizo), começo por dar o que habitualmente designo como cores chapão. Quero com isto dizer que, neste momento, não tenho grande preocupação com a volumetria do trabalho. Isso virá depois. Interessa-me tão somente colocar as cores dominantes. O chão é verde, o céu azul, as caras num tom amarelado, etc. É que, fazendo isso, depois posso seleccionar uma ou duas cores e ir trabalhando a página por secções, como se verá na próxima fase.
   Publico também uma página que mais parece arte abstracta, mas não é. É tão somente o resultado que se obtém na layer da cor, habitualmente colocada debaixo daquela em que figura o traço preto (onde só irei dar alguns retoques no final). Assim poderei trabalhar a cor, tendo como matriz dominante o traço preto, estando sempre a visualizá-lo. Claro está, que se lhe tiro a layer do traço preto o resultado é exactamente o que se vê na segunda figura. E quando os retoques de cor estiverem todos dados, tudo será ainda mais estranho. Todavia o que interessa é o conjunto, e aí é que as coisas terão que resultar...
   Entretanto, se repararem, a cor de fundo, que anteriormente era preta, já passou para um verde escuro, que na paleta de cores me pareceu a mais apropriada para estas páginas, já que o preto aqui iria, na minha opinião, sobrecarregar em demasia o conjunto. E pronto, agora entrarei naquela que considero uma das fases mais criativas por excelência... 

sexta-feira, 5 de março de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF 2

   Eis então a segunda fase da  criação da página dupla. Confesso que esta fase é das mais rápidas e das que me dá menos gozo, porque se, por um lado, já tenho o esboço feito, por outro tenho ideias bem definidas na cabeça sobre o resultado final. No fundo, trata-se de cobrir com o traço preto todos os elementos essenciais que ficaram no esboço. Aqui é preciso muito cuidado para não sobrepôr demasiados traços pretos (e pelo menos comigo existe muitas vezes essa tentação), já que esta é uma página para ser feita a cores. Se por um lado o preto tem que prevalecer, por outro, temos que ser disciplinados e guardar-nos para a parte em que a cor vai cumprir a sua função. Quanto aos espaços em branco, deixo-os por enquanto à imaginação do leitor. Posso dizer, para já, que esta é uma sequência que se passa algo imersa na bruma...
   Quero referir, por fim, que alguns destes traços ainda irão ser sujeitos a um tratamento, quando der a cor à página. Tomem para já como referência para essa fase os pelos da loba e a loba que aparece na terceira vinheta do alto em frente ao legionário que está de costas. Para além disso, a  cor de fundo da página não vai ser preta. Todavia, nesta fase deixo-a a preto para ter já uma ideia mais próxima do resultado final. E é aí que se exerce uma das grandes vantagens de trabalhar em computador: é que podemos colocar em layers (camadas) diferentes o desenho em si, as cercaduras das vinhetas e o fundo da página para depois fazer experiências várias, com vista a tirar os melhores resultados. No papel, isso seria mais difícil.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUID NOVI IN IMPERIUM? - MAKING OF

   Conforme já referi nalguns comentários, estou a preparar mais uma história curta desta série, que tanto gozo me tem dado, especialmente para este blogue. Pensei então, que seria engraçado acompanhar as diversas etapas sobre a construção de uma página. Por isso, deixo hoje a primeira parte com esta espécie de making of: o início da página. Esta é uma fase algo complicada, já que é aqui que o pesadelo da folha em branco se faz mais notar. É nesta altura e, consoante as notas prévias de texto que escrevi (chamo-lhes notas, porque é apenas um resumo, que muitas vezes só eu é que entendo, do que é que a página vai ter, com alguns diálogos que entretanto já me vieram à cabeça). Note-se que, neste caso, estou a construir uma página dupla e embora a história seja feita em primeiro lugar para o blogue, tenho que pensar numa eventual edição e ver o sítio da dobra das páginas. Depois tenho que as construir de modo a que não tenham texto ou situações muito complicadas nessa zona. A partir daí, é começar a pensar na planificação e a desenhar (primeiro esboços rápidos, depois desenhos já com algum detalhe, sobretudo em relação às zonas de contraste). Nesta fase, dedico alguma atenção ao modo como as vinhetas se vão dispôr, pois eu, como leitor, gosto que cada página fale por si e não seja uma mera sucessão de vinhetas alinhadas sempre da mesma forma. Contudo, isso é uma simples questão de gosto.
   Refiro ainda que o que hoje aqui apresento, embora já dê uma ideia da acção é meramente o esquiço, podendo o desenho levar, aqui e ali, algumas alterações. Dei-lhe apenas alguns efeitos a sépia no computador, para ficar mais apresentável. Todavia, abstraindo-nos disso, isto é apenas o croqui da página, que irá levar posteriormente o traço preto e a cor. Mas isso já é matéria para as próximas fases...